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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A BELA E A FERA


A BELA E A FERA
Bela, a caçula de quatro irmãs era de longe, a favorita do pai.Sua bondade e distinção superavam a enorme beleza que possuía.
Depois da morte da mãe, seu pai afeiçoou-se bastante a ela que o cumulava de amor e atenção.
Suas irmãs, sabendo ser o pai um homem rico pediam caros presentes no Natal ou nos aniversários e debochavam de Bela que se contentava com um beijo ou um chocolate.
No dia que completou 15 anos Bela pediu ao pai uma rosa branca; não uma rosa branca qualquer,mas,a rosa que florescia no jardim de uma mansão perto da sua.
Esta mansão pertencia à Fera, que, muito zangada com o roubo exige que o culpado volte daí a três meses para ser punido pelo crime.
O pai ficou intrigado porque a Fera não o matou logo como costumava agir com os infratores; aliviado, comentou o fato com a filha.
Perto de expirar o prazo fatal, Bela decide ir no lugar do pai.
A Fera a instala no mais belo quarto da casa e Bela vive sem aborrecimentos nem tristezas.
A Fera a visita de vez em quando e aproveita para reiterar seu pedido de casamento que é sempre recusado.
Um dia, Bela vê num espelho mágico a imagem do pai muito magro e doente,então implora à Fera que a deixe visitá-lo;promete voltar em uma semana.
A Fera diz que morrerá se ela não voltar.
A chegar, enche de alegria a casa;seu pai recupera as cores e a saúde,as flores do jardim ,florescem,os passarinhos cantam;suas irmãs,roídas de inveja,tramam para que Bela não volte.Queriam ver a reação da Fera.
Numa noite chuvosa Bela sonhou com a Fera jogada no leito, morrendo de saudade e desespero; arrumou suas coisas e voltou.Esquecida da aparência horrível da Fera que agoniza,a moça se desvela em cuidados e carinhos,temendo que a morte carregue aquele ser que ela aprendeu a amar.
Tomando as garras da Fera nas suas mãos delicadas,Bela confessa seu amor e aceita o pedido de casamento;pede que a Fera lute para recuperar a saúde para que possam ser felizes para sempre.
Nesse momento, um milagre acontece; o castelo enche-se de luzes e flores e a fera desaparece. Um formoso príncipe toma o lugar do monstro e conta à moça,deslumbrada,que foi encantado por uma fada má e que essa maldição só acabaria quando uma bela e jovem mulher se apaixonasse por ele ,apesar da sua aparência,enxergando apenas sua bondade.



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Vocês repararam no simbolismo dessa estória?
Bela pode ser qualquer uma de nós que temos, quando criança uma ligação muito afetiva com nossos pais; para nós, ele é um poderoso herói,quase um príncipe,que realiza nossos desejos e nos dá afeto e carinho;muitas garotas têm um ciúme horrível da mãe porque divide com ela o amor do pai .
Ao pedir uma rosa branca, a menina, agora mulher,põe a ela e ao pai sob o domínio de uma força ao mesmo tempo bondosa e cruel.
É como se a menina quisesse se desligar de um amor espiritual que a mantém virtuosa e se entregar a um amor real, que desperte seus sentidos , aguce a sua feminilidade nascente e a prepare para a maternidade.
Aprendendo a amar a Fera, Bela desperta para o amor carnal representado como uma força animal, bastante erótica , diferente do amor paterno.
Dessa maneira, ela se liberta do medo do sexo e assume a sua personalidade feminina, pronta para a descoberta do amor-sentimento,onde se une a natureza e o espírito.
Afinal, descobre o lado “humano” e doce da Fera e se entrega aos prazeres que ela vai lhe proporcionar.
Bela tem que abandonar o seu lado ingênuo e perceber que seu pai não poderia lhe ofertar a rosa branca desabrochada num sentimento, sem despertar a fúria da Fera, senhora absoluta do seu corpo de mulher.
A mulher tem que, como num rito de iniciação, liberar-se dos laços paternos para encontrar a feição animal,erótica da sua natureza.
Até que isto venha a acontecer ela não conseguirá realizar-se como mulher nem relacionar-se bem com um homem.
COMENTÁRIO:
10/12/2009 04:19 - MVA
Essa interpretação deixou-me pasma, embora os contos de fada, deinocente nada têm, por trás tem sempre algo subjetivo, como asexualidade principalmente, como a dominação de um sobre outro, aexploração, o abandono do filho , a pobreza sendo mostrada como algobom...mas que termina com riqueza e fartura se ...trabalhar muito eduramente - conquista da felicidade a duras provas. Parabéns!
09/12/2009 22:12 - Maria Iaci
Poxa, eu nem me lembrava mais dessa história. E a sua interpretaçãoficou muito boa. Obrigada por nos proporcionar essa rica leitura. Umbeijo na test
09/12/2009 21:04 - Maria Olimpia Alves de MeloA história eu já conhecia mas a sua interpretação foi dez.


09/12/2009 20:56 - Rejane ChicaMuito bom trazer a história e essa comparação reflexão que fizestesonbre o tema.Legal e verdadeiro!beijos,boa noite,chica

10/12/2009 20:06 - edson gonçalves ferreira,escritor
Adorei, a psicologia e a psiquiatria dos contos infantis é surpreendente. Conforme a interpretação, a gente até arrepia. QuantosPinóquios não existem no Brasil. Lembra os homens de casaca deBrasília: são todos pinóquios, não é? Parabéns. Convido você para lerO roseiral materno e Juventude Eterna, deixando seu comentárioprecioso. Um abraço, Edson

Um comentário:

  1. Míriam,adorei suas postagens, sua forma de escrever.Parabéns pelo blog!
    Bjs
    www.manualdoinseguro.blogspot.com

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